Poesia

As duas fridas

 

Entre ela e eu
Entre ele e eu
Na nossa canção
No nosso esquema
Tem matizes de Catulo,
Caetano,e alguns trechos da República de Platão.

Entre todos nós 
Tem muita diversão
Nas nossas orgias
Você se auto-flagela
E eu me entrego com paixão.



E se deste arranjo eu me cansar
Vou escrevinhar como Homero me ensinou.
Uma flauta doce
Uma viola
Um tambor.

Se eu falar de amor
Você prepara um beck
Se eu não te amar
Você lê um trecho de um poema de Flaubert.

E se eu te deixar
Você vai pirar
Andar pelas ruas
Não mais me encontrar.

Eu fui o seu Deus
Teu sol
Teu ar
A tua fantasia de princesa
O teu pai.


Para me esquecer
E não se jogar
Vai me devorando nas minhas cantigas e no teu cantar

Sem se demorar
as paredes
vão mudar de cor
o teu cheiro e todos teus escritos serão como eu.




Vai te entregando em qualquer canção
Vai me degustando na boca de quem me beijou
No corpo de quem me comeu
Na voz que sussurrou:
-Sou teu escravo
-O teu homem
-O teu pai.


E quando eu voltar
Não vou te reconhecer
Todo o teu corpo
Tua alma
Sem um dono
um algoz?


Eu vou me atirar
De onde eu saí
Eu quero ficar
Com esta mulher
Que eu libertei e destruí.