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Dia do amigo

  • 20 de jul.
  • 2 min de leitura

A campainha toca e, antes mesmo de eu abrir a porta, já sei quem é pelo ritmo apressado dos passos no corredor. É o abraço que chega antes do bom-dia, a bolsa jogada no sofá sem cerimônia e aquela intimidade de quem sabe exatamente onde guardo o café. Pensando bem, a vida adulta é uma construção maluca de rotinas, mas o que realmente nos sustenta são esses laços que a gente escolhe a dedo ao longo do caminho.

A gente nasce em uma família biológica por acaso do destino — uma loteria genética maravilhosa ou complicada, mas sempre um ponto de partida. Só que, conforme o tempo passa, a gente ganha a licença poética (e necessária) para parir os nossos próprios irmãos de alma. São aquelas pessoas que não compartilham do mesmo DNA, mas que conhecem de cor as nossas cicatrizes mais antigas, as manias mais esquisitas e os silêncios que não precisam de tradução.

Lembro-me de um domingo chuvoso em que a casa virou um caos de panelas queimadas e risadas altas. Olhei em volta e percebi: nenhum deles tem o meu sobrenome, nenhum deles estava na minha certidão de nascimento, mas todos eles habitam o meu peito no lugar mais seguro que existe. A amizade verdadeira é isso, um ato constante de coragem e afeto. É poder desabar sem medo de julgamento, é ser aplaudida nas vitórias mais bobas e segurada com firmeza quando o chão desaba.

No fim das contas, a família do coração é o refúgio onde a gente pode, enfim, descansar a armadura. É a certeza de que, não importa para onde os ventos da vida nos soprem, sempre haverá um porto seguro esperando por nós com uma xícara de café quente e um abraço pronto.















 
 
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