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Julietas & Romeus por Angélica Rizzi

7 de set.
1 min de leitura

O amor no tempo do Wi-Fi instável

Quem foi que disse que o romantismo morreu? Ele só ganhou um plano de dados limitado e aquela ansiedade clássica de ver os três pontinhos digitando... que somem do nada.

Às três da manhã, olhando pro teto, me peguei pensando: como os casais da literatura clássica sobreviveriam hoje? Se Elizabeth Bennet vivesse no século XXI, ela não recusaria Mr. Darcy por carta; ela daria ghosting nele após um tweet fofo-porém-esnobe. E o Darcy? Seria aquele boy do Tinder que posta foto de trilha com legenda em alemão, mas some se a conversa exigir dois segundos de maturidade emocional.

Sou shakespeariana e, imagino Romeu e Julieta nos dias de hoje. A tragédia não seria a falha na entrega da carta, mas sim o spoiler do plano do sonífero nos stories do Instagram antes de a menina sequer abrir o frasco. A gente tem o mundo na palma da mão e, ironicamente, continua escolhendo o silêncio dramático.

No fundo, queremos o amor tempestuoso de O Morro dos Ventos Uivantes, mas surtamos se o crush demora dez minutinhos para responder um "bom dia".

Virei o celular para baixo e sorri: os romances mudaram de palco. Nossos clássicos não usam espartilhos, usam fones Bluetooth, pagam boleto chorando, mas continuam tropeçando e se apaixonando por aí, bem do jeitinho que a literatura sempre amou.

E você, leitor(a), qual clássico sofreria mais se ganhasse Wi-Fi e um perfil ativo nas redes sociais?https://vemzonanorte.com.br/noticia/2845871/coluna-julietas-romeus-de-angelica-rizzi-julien-sorel-no-role-moderno

 
 
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