
O diário de Fioona ( conteúdo bônus do livro Minha Escola do Coração ❤️)
- há 6 dias
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O diário de Fioona
( conteúdo bônus do livro Minha Escola do Coração ❤️)
Querido Diário,
Hoje o dia na minha amada escola foi daqueles de fazer a cabeça girar... como se fosse um carrossel de pensamentos profundos e poéticos!
A aula de literatura foi mágica, mas também me deixou com a cabeça cheia de caraminholas (das boas!). Nós começamos a estudar Hamlet, aquela obra superfamosa do William Shakespeare. Confesso que, quando a professora Clara apresentou o livro, senti aquele clássico friozinho na barriga. O peso de um clássico assusta um pouco, né? Mas você sabe como eu sou: o medo é só um bicho-papão que a gente aprende a domar. Descobri que a coragem não é a ausência do medo, mas a vontade de ver o que existe do outro lado da ponte. E eu queria muito atravessar essa ponte literária!
Cheguei em casa, amarrei meu cabelo azul em um coque meio bagunçado e me joguei na cama com o livro. Não demorou dois minutos para o Dostoievski — o gatinho preto mais doce e companheiro desse mundo — pular no meu colo, ronronando baixinho. Parece até que ele sente quando eu preciso de um "abraço de pelos" para digerir grandes ideias.
Quando cheguei na famosa frase de Hamlet: “Ser ou não ser, eis a questão”, eu simplesmente parei. Fiquei olhando para o teto do quarto, com a mão no peito e fazendo carinho nas orelhinhas do Dostoievski.
Pensei: "Nossa, Shakespeare, você me descreveu em uma única frase!".
Não é exatamente essa a grande questão da nossa adolescência? Essa metamorfose constante em que vivemos? Uma hora a gente quer ser gigante e abraçar o mundo inteiro; na outra, quer sumir embaixo das cobertas e não ser nada além de um pontinho invisível. A gente se pergunta quem é, de quem gosta, qual o nosso papel no mundo, se devemos seguir o fluxo ou criar nosso próprio caminho... São tantas dúvidas! É um verdadeiro turbilhão.
Hoje no recreio, comentei isso com a Zuri, e ela — com aquele jeitinho superprático e engraçado que eu amo — deu risada e disse: "Fioona, o cara conversa com uma caveira! Isso é drama demais, até para os nossos padrões!". Eu ri muito, claro, mas no fundo fiquei pensando que a caveira do Hamlet é quase como os nossos próprios medos e segredos escondidos. A diferença é que a gente tenta esconder, e ele resolveu bater um papo com os dele.
Crescer dói um pouquinho, diário. Às vezes, as dúvidas pesam nos ombros. Mas ler esse livro me fez perceber que esses sentimentos não são uma exclusividade minha ou dos meus amigos na nossa Escola do Coração. Até um príncipe dinamarquês de séculos atrás sentia esse vazio e essa necessidade de se encontrar.
A grande diferença é que eu não quero que a minha história seja uma tragédia shakespehttps://youtu.be/kgI683LU5Ucariana! Quero que as minhas dúvidas sejam como sementes. Pode ser difícil passar pelo período debaixo da terra, no escuro, mas eu sei que, se eu regar esse jardim diariamente com carinho e paciência, vou florescer. E florescer é um espetáculo que eu não quero perder por nada!
O Dostoievski acabou de dar um miado baixinho e se espreguiçou em cima da página, como se estivesse assinando embaixo de tudo o que escrevi. Vou fechar o livro por hoje e descansar, porque amanhã tem mais vida para ser vivida (e mais páginas para colorir!).
Com carinho,
Fioona 💙

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